Saúde ocular da criança é tema de entrevista no programa Band Mulher

Postado dia 01 de setembro de 2017
por Clínica Canto
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Dra. Ana Paula Canto explicou sobre a importância do acompanhamento oftalmológico na infância

A oftalmologista Ana Paula Canto foi a entrevista do programa Band Mulher, da Band Curitiba, para falar sobre saúde ocular na infância. Confira. 




A saúde ocular gente é muito importante. No caso das crianças, ainda pode prejudicar na escola e no aprendizado. O mais importante é que podemos evitar esses problemas futuros.

Marylia Bernardt: Existem mais de 29 mil crianças cegas por causa de problemas oculares. É um número bastante alarmante, é o número muito alto. Ao que se deve esse número?

Dra. Ana Paula Canto: O principal motivo de a criança ter uma baixa visão na infância, às vezes é a falta do óculos dentro do prazo que ela deveria ter usar. A visão da criança se desenvolve até os sete anos de idade. Se a mãe não percebe que a criança tem um grau mais alto, tem estrabismo, que é o olho torto, ou lá no teste do olhinho, feito na maternidade, alguma doença mais específica como uma catarata congênita, a criança acaba não desenvolvendo a visão e vai descobrir só com 17 e 18 anos quando chega a hora de tirar carteira de motorista, mas, então, já passou o tempo.


Marylia Bernardt:
Como é feito esse teste do olhinho, pois não costumamos falar muito do teste do olhinho, mais o teste do pezinho.  

Dra. Ana Paula Canto: Exatamente. São feitos diversos exames para criança: de olhinho, de língua, de ouvidinho, do coração... Um deles é o teste do olhinho, que é super importante e vai ver o reflexo vermelho no fundo do olho da criança. Existem algumas doenças que a mãe pode adquirir durante a gestação e passar para o bebê, causando catarata congênita, glaucoma congênito, infecções intrauterinas como toxoplasmose ou sífilis podem causar alteração do fundo do olho da criança e isso fará com que ela não enxergue direito. Então, o diagnóstico precisa ser precoce para a criança poder ter um tratamento adequado. 


Marylia Bernardt:
A mãe não precisa necessariamente ter algum problema ocular para passar para a criança? 

Dra. Ana Paula Canto: Ela não precisa ter um problema para poder passar para criança. Existem algumas doenças congênitas, que seria a catarata ou glaucoma ou infecções, que a mãe pegou durante a gestação e que podem passar para criança intrautero. Essas serão diagnosticadas no teste do olhinho na maternidade. 


Marylia Bernardt:
Então, a criança fez o teste do olhinho na maternidade e está tudo bem. Depois de quanto tempo que ela precisa fazer acompanhamento médico no oftalmologista? 

Dra. Ana Paula Canto: É muito importante que seja feito antes dos sete anos de idade. Uma idade ideal é aos três anos de idade, pois ela já falar se está enxergando ou não está enxergando os bichinhos. Também fazemos outros testes mais específicos para ver se tem algum grau mais alto, se um olho enxerga e o outro não enxerga, se um olho não tem grau e outro olho tem grau. Então, aos três anos é uma idade que todas as crianças deveriam ser examinadas. Caso existam casos na família de tumores intraoculares, de estrabismo, de graus mais elevados, essa criança deve ir ao oftalmologista antes dos três nos de idade. O próprio pediatra já faz um teste no consultório para poder orientar os pais à levarem ao oftalmologista precocemente se achar algum reflexo diferente. 


Marylia Bernardt:
Agora, nós vamos conhecer a história do Guilherme, que é paciente da Dra. Ana Paula e também a prova de que os cuidados com cisão devem começar já desde cedo  

Com apenas quatro anos de idade, o Guilherme foi diagnosticado com ambliopia, uma doença mais conhecida como olho preguiçoso.

“Nós percebemos pelo fixar do olho dele, que um dos olhos não acompanhava os movimentos laterais com a mesma precisão do outro. Então, nós decidimos procurar um oftalmologista para investigar essa situação”, conta Leandro, pai do Guilherme.  

Nessa época, ele praticamente não tinha mais visão em um dos olhos, o que dificultava muito as atividades do seu dia a dia.  

“Eu não jogava muita bola, não brincava muito, porque não conseguia enxergar direito”, comenta Guilherme.

“Ele se aproximava muito da televisão ou de livros conseguir enxergar as figuras, tropeçava muito na rua. Tinha essas dificuldades de uma criança que tem problema de vista, como caminhar, fixar o olhar, assistir televisão ou jogar videogame e ficar no computador”, revela Leandro. 

Desde então, o garoto começou a usar óculos e tem acompanhamento oftalmológico frequente. Por isso, hoje, aos 10 anos de idade, está com o quadro super estável.    

“Ele começou com um tampão no olho para poder estimular e a receita dos óculos. Os dois são bem importantes, mais o tampão para ele poder estimular o campo de visão do olho que ele tinha muito pouca visão”, considera o pai.

Hoje, o Guilherme já consegue jogar vídeo game, ver o celular e assistir televisão. 

Marylia Bernardt: Doutora, que é essa história do Guilherme, do olho preguiçoso?

Dra. Ana Paula Canto: Os pais do Guilherme são professores, então, cedo eles notaram que ele ficava muito perto do computador ou do celular. No consultório, foi diagnostica que ele tinha um grau mais elevado de hipermetropia, mais em um olho do que no outro. Quando se tem uma diferença de mais de dois graus entre um olho é outro, o que acontece é que o cérebro percebe que está difícil de enxergar com um olho, então, deixa aquele olho de lado e estimula só o outro a enxergar. Esse olho que não enxergava direito, por causa do grau mais alto, fica preguiçoso, em termos médico, a ambliopia. Por isso, é importante usar os óculos, fazer esse diagnóstico. O tampão que o pai do Guilherme referiu é usado no olho bom, não no olho ruim, para estimular o olho ruim a enxergar. É feito tampão, a oclusão, algumas horas por dia, alguns dias na semana, mas não pode ser em cima dos óculos, é grudado na pele. E não adianta fazer o tampão e dormir, pois o importante é estímulo visual. Então, a criança precisa ir desenhar, brincar, ir para escola. É importante que os coleguinhas não façam bullying, que crianças e os professores compreendam que a criança precisa daquilo. Infelizmente, eu tive um caso de uma escola que não queria deixar criança usar o tampão. Precisei fazer uma carta e fiquei impressionada. Isso é uma função da escola, uma função dos professores, ajudar e até ensinar isso para as outras crianças, como é que isso funciona. Elas podem falar que vão brincar de pirata, levar para o lado lúdico para as crianças entenderem. 

O olho torto, que é o estrabismo, um olho está virado para dentro e o outro olha reto. No estrabismo divergente, um olha reto o outro para fora. Isso, muitas vezes, corrigimos simplesmente usando óculos, que a principal forma de tratamento. Em alguns casos, é necessária uma cirurgia para poder melhorar essa parte estética e ajudar no desenvolvimento visual da criança.

Marylia Bernardt: Mas não é somente a parte estética que fica prejudicada. A criança realmente enxerga de uma forma torta?

Dra. Ana Paula Canto: Ela suprime o olho que está virado para fora. Às vezes, as pessoas comentam: mas então ele está olhando para lá e tá olhando para frente, que confusão é essa? Não, o olho que está virado, o cérebro suprime a imagem, quer dizer, apaga aquela imagem. A criança vai enxergar apenas com o olho que está virado para frente. Quer dizer, aquele olho que está sempre virado para o lado não vai se desenvolver. Algumas crianças tem o que chamamos chama de alternância, uma hora olha para frente e outra hora olha para o lado. Nesses casos, acaba se desenvolvendo a visão dos dois olhos. Mas, geralmente, um dos olhos vai acabar não se desenvolvendo.  

Marylia Bernardt: Doutora, quais seriam as principais reclamações que a criança pode ter?

Dra. Ana Paula Canto: Ela começará a reclamar que não enxerga o quadro negro, que está com dor de cabeça, ou começa piscar demais e lacrimejar. A dor de cabeça, normalmente, é depois da escola, durante o período da escola ou quando fica no celular, computadores e tablets. Algumas crianças acabem sendo diagnosticadas com déficit de atenção ou com deficiência do aprendizado, pois elas não estão acompanhando a turma da escola, mas, às vezes, é somente por não enxergar que não conseguem acompanhar a turma. Por isso, a importância de fazer o exame oftalmológico, pois nem sempre os pais percebem essa dificuldade. Somente quando a pessoa já é adulta vai fazer o teste do DETRAN que percebe: nunca enxerguei desse lado. Então, a importância de todos anos fazer acompanhamento adequado com o oftalmologista.


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