Cirurgia de catarata é tema de entrevista com o Dr. Geraldo Canto na TV Evangelizar

Postado dia 23 de agosto de 2018
por Clínica Canto
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O oftalmologista explicou as principais dúvidas sobre a doença e o procedimento cirúrgico

Em entrevista para o programa Fé na Vida, da TV Evangelizar, o Dr. Geraldo Canto tirou dúvidas sobre a cirurgia de catarata e miopia.



Todos os anos, a catarata atinge cerca de 120 mil brasileiros, de acordo com dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. O principal sintoma é aquela visão embaçada, como se a pessoa tivesse olhando através de um vidro opaco, um vidro um pouco embaçado. Isso, claro, prejudica a qualidade de vida. O único tratamento para catarata é a cirurgia, que é um procedimento rápido, mas as pessoas ainda têm muitas dúvidas sobre como funciona exatamente esse tipo de cirurgia da catarata. Sobre esse assunto, eu recebo aqui no estúdio o médico oftalmologista Geraldo Canto.

A tecnologia evoluiu muito nessa área da cirurgia oftalmológica, então, a gente está em bons tempos para esse tipo de procedimento, que pode ser feito com muita tranquilidade?

Dr. Geraldo Canto - Sem dúvida nenhuma, eu posso dizer para você que a cada década a cirurgia de catarata tem avançado muito. Do que se fazia da década de 80 para a de 90 e a partir dos anos 2000 para frente, mudou totalmente a forma de realizar a cirurgia e, com isso, os resultados que nós temos com o procedimento cirúrgico.  

Em geral, quase todo idoso uma hora ou outra vai ter um problema de catarata ou depende de algumas circunstâncias, como questão genética?

Dr. Geraldo Canto – A catarata faz parte de envelhecimento, então, quanto mais idade a pessoa tiver, maior a chance dela ter catarata. Vamos comparar com os cabelos brancos, as rugas, que fazem parte do nosso envelhecimento, a catarata também. Conforme a pessoa vai envelhecendo, vai aumentando a chance de ter catarata. Não quer dizer que pessoas jovens não possam ter a catarata, mas ela diminui em sua prevalência, é menos comum. Então, para a gente ter uma ideia de estatistica: com menos de 65 anos, na faixa dos 45 aos 65 anos, 17% das pessoas já podem ter uma catarata. A partir dos 65 anos, essa estatística já vai para 47% e, após os 70 anos de idade, cresce para 73%. Se a gente pegar uma pessoa já com 85 anos, ela tem entre 90 e 95% de chance de já ter uma catarata, que está causando uma baixa da visão importante. Então, a catarata está altamente relacionada à idade. Mas, provavelmente, deve ter espectador pensando “Nossa, mas eu sou bem mais jovem e já operei a catarata”. Talvez nesse jovem, a catarata esteja associada ao uso de corticoide crônico para asma, alguma alergia ou uso de comprimidos de corticoides que, muitas vezes, podem desenvolver catarata em jovens, ou diabetes mais descompensada também pode favorecer o surgimento mais precoce a catarata. Em geral, é uma doença da terceira idade, mas ela pode ocorrer em qualquer faixa etária.  

Nós temos algumas imagens para mostrar aqui, que o doutor pode comentar com a gente. Aqui, temos um olho com catarata e outro sem catarata. Gostaria que o doutor explicasse para a gente.

Dr. Geraldo Canto - Nessa imagem, a gente observa aquela parte esverdeada que é a iris - a parte dos olhos que falamos que temos azul ou castanha, essa parte é a iris, a cor dos olhos. Naquela parte no centro, que parece escura, na verdade não é escuro aquilo, é transparente, uma lente natural que nós temos dentro do nosso olho por onde a luz passa, o cristalino, que vai dar o foco certinho na retina, fazendo nós enxergarmos com nitidez. Quando essa lente está embaçada, acinzentada, fosca como se fosse uma janela suja, o foco da visão vai ficar pior e a imagem ficará embaçada. Então, só para esclarecer para as pessoas que estão em casa, que muitas vezes confundem e que é uma dúvida comum no consultório: a catarata não é tão fácil de perceber olhando para pessoa, não é aquela pelezinha que a gente observa no olho da pessoa. Aquilo não é a catarata, é pterígio, outra doença que normalmente não afeta a visão diretamente. A catarata é dentro do olho e é muito difícil o leigo conseguir a olho nu observar, ao menos que seja uma catarata extremamente avançada, que deixa o olho branco. Muitas pessoas devem ter cachorro, que também desenvolve caratata em idade mais avançada e fica aquele olhinho branco que você consegue observar. Aquilo é uma catarata extremamente desenvolvida.

Aqui, temos um exmplo de como é a visão de uma pessoa que tem catarata. A visão normal do lado esquero do vídeo e a visão com catarata no lado direito.

Dr. Geraldo Canto - Na imagem à esquerda é uma visão como se o cristalino estivesse transparente, sem catarata. Já no lado direito é com uma catarata média para avançada. O mais comum na catarata é o prejuízo da visão central, quando a pessoa observa que, às vezes, para dirigir está ruim, o farol de um carro ofusca, difuculta a leitura. Muitas vezes, pacientes com um pouco mais idade, vão ao nosso consultório e falam “Olha, o senhor é o terceiro médico que eu vou, porque nenhum médico acerta o grau do meu óculos mais”. Isso porque não é a questão dos óculos estarem fracos ou estarem fortes, é questão de existir transparência para enxergar. Então, mesmo ajustando óculos, você não consegue fazer com que a pessoa enxergue melhor, pois a catarata deixa a visão embaçada como mostra na imagem.  

Nesses casos, o único tratamento é a cirurgia? Não existe nenhum outro tratamento paliativo que possa melhorar um pouquinho a visão?

Dr. Geraldo Canto - Não existe nenhum outro tratamento, isso é muito importante frisar. “Doutor, mas minha amiga diz que pingam colírio, que comprou um remédio”. Não, não existe nada nada comprovado e nem nada que a gente especule ser alguma coisa eficaz. Já existiu no passado alguns colírios que eram vendidos em farmácias e que prometiam isso, mas isso já desabou como uma inverdade, ou seja, colírios e medicamentos não conseguem nunca fazer reverter uma catarata. É a cirurgia que vai remover a catarata, tirar essa a lente embaçada e colocar uma prótese no lugar, uma lente fixa e definitiva que nunca mais se substitui.

E não tem rejeição?

Dr. Geraldo Canto - Não existe rejeição da lente, isso é algo raríssimo de acontecer, pois já são materiais utilizados há mais de 40, 50 anos e que estão desenvolvendo cada vez melhor a qualidade, para conseguir implantar com pequenos cortes, para conseguir ter, além da correção da transparência, a correção do grau da pessoa. Então, hoje, a cirurgia de catarata mudou, principalmente, nesse aspecto, pois ela não corrige apenas a catarata, a transparência, mas consegue compensar o grau. Muitas vezes, o paciente com 65 anos de idade vai ao nosso consultório e está usando óculos de 4, 6 graus, mas não quer mais usar. A gente observa que já tem uma catarata e ele já está enxergando um pouco menos. Então, é uma oportunidade de resolver melhorar a transparência e, ao mesmo tempo, melhorar o grau do óculos. Nós conseguimos, com cálculos e exames feitos antes da cirurgia, corrigir esse grau que a pessoa tenha de longe, sempre tentamos fazer isso. Se a pessoa tiver exames bom e disposta a investir um pouquinho mais na sua visão de longe e de perto, também podemos fazer com que aconteça tão sonhada independência dos óculos que muitos desejam .

Essa nova imagem que estamos vendo já um grau muito avançado da catarata?

Dr. Geraldo Canto - Esse é um grau muito avançado, esse já é um paciente que é classificado como cego. Legalmente, ele já tem uma cegueira, só enxerga vultos, alguma visão de luz. É uma catarata avançada, uma catarata branca.  

Mesmo nesse caso, a cirrugia conserto o problema todo?

Dr. Geraldo Canto - Essa é uma das grandes características da cirurgia que deixa os pacientes deslumbrados, muito felizes, pois ele não estava enxergando nada, como essa imagem mostrada na tela, e após feito o procedimento, no mesmo dia ou nos dois dias seguintes, a pessoa volta enxergar 100% - isso considerando que ela não tenha nenhuma outra doença no olho, nenhuma cicatriz na retina, nenhuma inflamação, nenhum glaucoma associado. Então, se for só o problema da catarata, é possível reabilitar muitas vezes em 100% a visão de uma pessoa que está cega por causa da doença. 

Esse problema que a gente está vendo nesse imagem, qual é, doutor? É catarata também?

Dr. Geraldo Canto - Isso não é catarata, isso chama-se pterigio, é uma pelezinha que cresce sobre a córnea. A catarata está lá dentro e isso está na superfície do olho, o que confunde muitas vezes. O pterigio deixa o olho vermelho e inflamado e não prejudica diretamente a visão, só prejudica mais a visão quando ele está muito avançado e cobre a parte central da visão. A cirurgia do pterígio também pode ser realizada, mas é feito um corte do pterígio, um transplante de conjuntiva para recuperar isso. É outra técnica, um procedimento totalmente diferente da catarata.

Vamos falar agora sobre outro problema em uma reportagem na qual o Dr. Geraldo participou também. É sobre miopia. Metade da população pode ter miopia até o ano de 2050, segundo a Organização Mundial de Saúde. A atenção ao sintomas e ao início do tratamento podem auxiliar na correção desse distúrbio visual. 

Os brasileiros precisam ficar de olho. O último censo do IBGE aponta que 36 milhões de pessoas tem alguma deficiência ou comprometimento visual. No mundo, duas em cada dez pessoas têm miopia. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a incidência pode aumentar nos próximos anos e a estimativa é de que, até 2050, metade da população seja míope.

Quem tem miopia enxerga bem as pessoas e objetos que estão perto, já o que está longe fica embaçado. Embora tenha origem genética, alguns hábitos do cotidiano podem contribuir para o surgimento do distúrbio visual.

“São duas situações que causam essa alteração do foco: ou a córnea é mais curva, mais pontudinha ou a parte branca do olho é maior, é um olho mais alongado, a gente chama isso de um diâmetro axial maior. O principal componente da miopia é a causa genética, então, sem dúvida nenhuma, aquelas pessoas que têm pais com miopia ou irmãos com miopia têm uma tendência muito maior. Mas, fora o fator genético, o que tem mostrado ser um fator importante na vida contemporânea são os hábitos comportamentais, como o excesso de leitura para perto e a falta das atividades em ambientes externos. Esses dois componentes estão sendo estudados para sabermos, realmente, a importância disso no aumento dos casos de miopia”, esclarece Dr. Geraldo Canto.

A miopia, geralmente, é percebida na adolescência, quando existe dificuldade na leitura e incômodo para reconhecer objetos distantes, além do ato de franzir a testa e forçar os olhos para tentar compensar a falta de foco. No caso de sintomas, é importante procurar um médico oftalmologista para realizar o diagnóstico e iniciar o tratamento.

“O tratamento mais fácil e que todos pacientes míopes devem ter é um óculos. É feito óculos com grau necessário ou as lentes de contato também são uma ótima opção. Já a cirurgia é indicada em casos mais avançados, em que já existe uma certa idade mínima e um grau bem estabelecido.

Diego Leão tem 21 anos e por causa do desconforto na hora de estudar, descobriu que tinha miopia. “Uns 4 anos atrás, mais ou menos, estava na aula e não conseguia enxergar direito o quadro. Resolvi fazer exame e descobri que estava com miopia”, lembra.

Já o irmão começou o acompanhamento mais cedo, aos seis anos de idade. “Meu dia a dia hoje é com a correção tanto da lente quanto do óculos e é bem tranquilo. Durante a semana, eu utilizo mais o óculos por causo do trabalho direto no computador e, no final de semana, eu utilizo a lente de contato”, conta Jonathan Leão.

Na reportagem, vimos também possibilidades de tratamento para questão da miopia. Mas, no caso da cirugia, depende de alguns requisitos específicos, não é uma cirurgia indicada para todo mundo?

Dr. Geraldo Canto – Não. A miopia é a grande epidemia oftalmológica que a gente tem observado. É uma alteração visual, não é classificada como uma doença, mas, sim, como uma condição visual em que a pessoa enxerga mal para longe. Ela surge no final da infância vai aumentando até perto dos 30 anos de idade. A principal dificuldade é enxergar de longe. Então, ver placas, ler o quadro na fase escolar é mais difícil. Os óculos corrigem muito bem e compensa em 100% a visão do míope, assim como a lente de contato. Já cirurgia é uma alternativa para pacientes que têm certos critérios: uma idade mínima que, por lei é 18 anos, mas a gente recomenda que se tenha mais de 21 para que haja um pouco mais de segurança e mais estabilidade do grau, e têm exames especiais que nós fazemos para medir a curvatura e a grossura da córnea para poder utilizar o laser, pois é uma cirurgia com laser que faz a correção do do grau em que a pessoa fica independente dos óculos.  


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